Passo a passo: poemas e reflexões
Sobre esta obra
Este livro reúne dez poemas de caráter filosófico e espiritual, surgidos ao autor como respostas a questionamentos íntimos e como inspirações recebidas ao longo de sua trajetória. A palavra “surgidos” talvez seja a mais adequada, pois, em sua percepção, tais poemas não foram propriamente criados, mas encontrados: já existiam em estado potencial, como pensamentos, percepções ou mesmo estruturas semelhantes a uma função matemática, aguardando apenas serem captados e traduzidos em palavras.
Não se trata de uma obra psicografada, mas da experiência de um acesso momentâneo ao chamado “Plano das Ideias” — ou Plano Mental Superior, segundo a tradição teosófica. Assim como um guia enriquece a visita a um museu ao revelar detalhes e significados ocultos das obras expostas, cada poema é acompanhado de uma reflexão explicativa, elaborada com o intuito de favorecer sua compreensão e interpretação.
Como livre pensador, o autor não vincula esta obra a qualquer religião ou doutrina específica. O termo “Deus” é empregado apenas como uma simplificação linguística, utilizado para designar aquilo que ele concebe como a “Consciência Criadora de Tudo” — uma realidade que, em sua visão, permanece essencialmente incognoscível.
Poemas e reflexões
Passo a Passo
Escrito em 2008, este poema fala da trajetória que cada um de nós, consciente ou inconscientemente, percorre ao longo da vida (ou vidas) rumo ao aperfeiçoamento espiritual. Fala sobre livre arbítrio e sobre as leis do Universo, as quais regem essa evolução. Entender o mecanismo desse processo nos ajuda nessa jornada, onde o amor, a compaixão, o desapego, a fé, a abnegação, a humildade e a busca sincera pela Verdade são fatores fundamentais.
…Mas se acaso sentires
O chão ausente
E receberes o convite
Para seguir em frente,
Podes estar seguro
E avançar confiante,
Pois estarás em prova
De o quão tu és crente
E passado o teste
Perceberás, então,
Que cruzaste uma ponte
Que não se via o vão…
Perfeito imperfeito
Escrito em 2010, este poema fala sobre o bem oculto em todo mal e da forma como situações desafiadoras são, na verdade, oportunidades para o exercício do amor, da compaixão e do perdão sendo, também, oportunidades para a reflexão, o aprendizado e o aprimoramento. Situações extremas muitas vezes surgem para proporcionar uma mudança em nós mesmos e em nossa vida. Enfrentar a situação com sabedoria é a chave para galgarmos um degrau acima em nosso crescimento espiritual.
…Agradece, então, ao espinho,
Não reclames nem mesmo da dor,
Faz tudo com muito carinho,
Coloca em tudo o amor,
Tornarás, assim, água em vinho,
E no fim deste mesmo raminho
Tu irás encontrar uma flor.
Doce Naufrágio
Escrito em 2008, este poema fala do amor como sendo a verdadeira única razão que legitima nossa existência e nossas decisões. Fundamentar nossas ações em sentimentos como vaidade, ganância, egoísmo, orgulho e arrogância é uma ilusão, que pode até nos proporcionar algum “benefício” temporário, mas que não se sustentam: certamente servirão para algum propósito, mas que, em algum momento de nossas vidas, saberemos que não se constituem em terreno firme propício a estabelecermos nossas fundações.
…E qual em ponto e reponto
Ganho e perco terreno,
Se hoje estou eu revolto
Amanhã, sou sereno.
Comparado a mim,
O meu sonho é pequeno
E as pedras que encontro
As abraço primeiro,
E, com incontáveis afagos,
As transformo por inteiro,
Seguindo, assim,
Em quão doce peleia,
Onde eu continuo água,
Mas, a pedra…
Vira areia…
Eu
Escrito em 2009, o poema intitulado “Eu” não faz referência ao autor ou à sua maneira de pensar, mas, sim, à essência do próprio leitor, como se ela assumisse a voz narrativa para expressar alguns dos princípios que, supostamente, deveriam orientar sua trajetória de vida.
…Agradeço a cada momento,
Não guardo nem mágoa ou revolta,
Pois na vida a vitória ou o lamento,
Como um dia e uma noite é uma volta,
Fazem parte de um ensinamento…
Minha Janela
Escrito inicialmente em 1994 e reeditado em 2009, este poema fala sobre o fato de que, pelo modo de enxergarmos a vida, podemos nos tornar capazes de “transformar água em vinho”, enxergar o bem oculto em todo mal e de perceber as possibilidades de aprendizado em cada momento da vida.
…Vi a menina sorrir,
Vi um brilho no olhar,
Vi um menino a correr,
Vi uma pipa no ar,
Vi um amigo partir,
Vi uma mão acenar,
Vi o verão acabando,
Vi o inverno gelar,
Vi um cachorro latir,
O bem-te-vi a cantar,
Vi o silêncio ruir,
Vi o vento soprar…
Felicidade
Escrito em 2008, este poema fala sobre a verdadeira fonte da felicidade e o caminho a ser percorrido para encontrá-la.
Onde está a felicidade?
Procurei-a por tempo e em vão,
Talvez nem mesmo soubesse
Se ela existia ou não…
Liberdade
Escrito em 2008, este poema fala sobre o real significado de liberdade, propondo que somente podemos alcançá-la através do desapego a nós mesmos, ao nosso “eu”, ao modo como nos vemos como seres individualizados, à nossa falha personalidade, permitindo a manifestação da essência divina presente em cada um de nós.
…Pagar em dia o tributo,
Ser mais esperto ou astuto,
Poder fazer o que quer,
Poder ir aonde quiser,
Conquistar o teu espaço,
Ser dono do fogo e do aço,
Estar em posição de mandar,
Ser senhor, escravizar,
Ser cidadão do mundo,
Ou ser mero vagabundo…
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Poema Liberdade |
Se ser ou não ser é a questão,
Se tu tens essa preocupação,
O que é liberdade então?
Tua busca já se fez em vão…
Mentira
Escrito em 2009, este poema aborda o tema Mentira em suas diferentes facetas, seja de cunho psicológico, como um meio de fuga, vergonha de si mesmo, necessidade de aceitação, etc., seja de cunho relacionado ao caráter, usada para fins egoístas, trapaça, ganância, etc. Seja qual for o motivo, a mentira traz consequências, tanto para o indivíduo que mente quanto para suas vítimas.
…Que te faz ser um escravo,
Daquilo que disseste primeiro,
E daquilo que ainda dirás!
Que faz de ti prisioneiro
De quem sabe o teu segredo,
Que te faz viver com medo
De a verdade aflorar.
Que te cobra o teu caráter,
Que te custa a tua paz,
Que à noite se deita ao teu lado
E te aguarda ao despertar,
Que te faz perder amigos,
Que impede alguém te amar!…
Verso e Inverso
Escrito em 2008, este poema fala sobre a ordem natural e as leis com as quais o Universo é regido, onde tudo tem um sentido e um propósito. E buscar conhecer essas leis faz parte de nossa existência.
…Viver não faria sentido,
Morrer seria um pedido,
A paz seria um tormento,
A vitória seria um lamento,
A volta precederia a ida,
A pressa estenderia a vida…
Inspiração Divina
Escrito em 2008, este poema teve como inspiração a imagem de um gráfico de uma função senoide, que representa uma curva contínua em formato de onda que oscila de forma periódica entre um valor máximo e um valor mínimo. Ao mentalmente vislumbrar esta imagem, percebeu-se seu significado, sendo este, então, transcrito na forma deste poema.
De onde vem a inspiração?
Talvez ela venha do céu,
Assim como a flor faz o perfume
E a abelha fabrica o mel.
Sobre o Autor
Wilson Pailo nasceu e cresceu em Curitiba. Desde cedo, gostava de caminhar por florestas, ouvir o canto dos pássaros e respirar os perfumes misteriosos que pairavam no ar — mesmo quando não havia flores por perto. Sua paixão pela natureza e por atividades ao ar livre tiveram um papel decisivo na escolha de sua profissão: Engenheiro Agrônomo. Ao longo dos anos, viveu em diferentes regiões do Brasil e também nos Estados Unidos, onde permaneceu por dez anos.
Sua trajetória literária começou em 2008, quando, em uma manhã de sábado, recebeu de forma inesperada a inspiração para escrever três poemas: Verso e Inverso, Liberdade e Felicidade. O episódio lhe causou estranheza, pois literatura e poesia jamais haviam figurado entre seus temas prediletos. Desde então, passou a escrever sempre que surgiam questionamentos de natureza filosófica e existencial. Ao final de 2010, após concluir quatorze poemas, sentiu que era chegado o momento de publicar um livro. Diante da dúvida sobre como transformar um conjunto tão pequeno de textos em uma obra, compreendeu que deveria acrescentar reflexões relacionadas aos poemas. Segundo sua percepção, isso era necessário para favorecer a correta interpretação das mensagens, por tratarem de princípios ligados às Leis Divinas, evitando assim interpretações distorcidas ou excessivamente subjetivas. Também entendeu que deveria ter o cuidado de não contaminar os textos com opiniões pessoais. Dos quatorze poemas iniciais, dez foram selecionados, dando origem à presente obra.
Em 2010, escreveu, também, My Heart, seu primeiro livro voltado ao público infantil. Desde então, continuou escrevendo e ilustrando seus escritos sempre que lhe surgia uma inspiração ou tema relevante.