um livro de Wilson Pailo

 

Conserta-se disco voador
Assim dizia a plaquinha
Pintada com tinta de cal
Na porta daquela casinha,
Que tinha as paredes de barro,
O telhado de sapê,
Sem forro, nem assoalho…
Um pequeno chaminé!

No meio daquele sertão,
Longe de tudo, no nada!
A plaquinha assim desenhada
Chamou a minha atenção:

— Ô de casa, dá licença!
Fui chegando devagar…

— Boa tarde, meu amigo,
Em que posso lhe ajudar?

Respondeu um senhor idoso,
Com alguns dentes faltando,
Mas um semblante bondoso
E os pequenos olhos brilhando:

— Perdoe-me a curiosidade,
É que eu ia passando,
Vi a placa dependurada
E fiquei aqui pensando
Se seria mesmo verdade,
Me desculpe por favor,
Que o senhor em sua casa
Conserta disco voador!?

— Sim, conserto,
De qualquer ano ou modelo,
De qualquer planeta ou galáxia,
Sistema ou constelação;
É só me trazer o aparelho
Que eu faço a reparação!

— Não me diga, que beleza!

Mas dessa história maluca eu tinha que ter certeza:

— E o senhor já… consertou algum? 

Perguntei em tom de ironia,
Pois era uma coisa absurda
E o velho, certamente, mentia!

— Não, até hoje não consertei nenhum…

Respondeu serenamente,

— Mas, a qualquer hora aparece,
Tem que ser paciente!

Não sabia se eu ria,
Se era sério ou gozação,
Talvez, devido à idade,
O velho perdera a razão!
Mas resolvi prosseguir,
Perguntando a ele, então,
Quando, como, com quem ou onde
Aprendera a profissão:

— Sempre fui “consertador”,
Desde pequeno menino,
E com essa vocação
Eu segui o meu destino:
Viajei pelo mundo afora,
Trabalhei no campo e cidade,
E conheci muitas pessoas
Com as quais fiz amizade.
E consertei um pouco de tudo:
TV, computador,
Bomba de extrair petróleo
Barco à vela, a vapor,
Máquina de tirar leite,
Carro, moto, bicicleta,
Carroça, avião, esqueite…
Consertei até pessoas
(E com muita habilidade)
Mesmo sem ter diploma,
Mas foi por necessidade!

— É uma história impressionante!
Mas tenho só mais uma questão:
Se o senhor sabe consertar tantas coisas,
Por que veio morar no sertão?

— Vou lhe dizer meu amigo:
Já fui pai de família,
Formei meus filhos doutor,
Minha mulher, falecida,
Mora com Nosso Senhor;
Já tive muitas alegrias,
Passei, também, muita dor,
Mas cada tarefa cumprida
Procurei fazer em louvor.
Não sei quanto tempo me resta
Seguindo nessa jornada,
Afinal a gente nunca sabe
Quando será o fim da estrada,
Mas uma coisa lhe garanto
E lhe dou aconselhamento:
Nunca se esqueça do amor
Em qualquer situação ou momento!

— Me desculpe mais uma vez,
Mas o que isso tem a ver
Com o senhor morar no sertão?!

— Vou lhe ser muito sincero:
Nunca tive a intenção!
Mas, como em tudo que faço…
Eu segui meu coração!

Fiquei olhando para o velho
Um tanto quanto estarrecido,
Mas, pra mim, toda aquela conversa
Não fazia o menor sentido!
E, sem mais nada a perguntar,
Me despedi do velhinho,
Entrei no meu automóvel,
E segui o meu caminho,
Vendo, no espelho, a casinha
Sumir devagarinho.

Só fiquei sabendo, depois,
Através de um comentário,
Sobre a história de um velho
Que vivia solitário,
E que, em uma certa noite,
Teria um fato ocorrido:

Por um disco voador
O velho fora abduzido,
Indo embora para o espaço
Em um rumo desconhecido!

Fim.

 

 

Sobre Esta Obra

“Conserta-se Disco Voador” foi escrita em 2021. Achei o dizer intrigante, por denotar um misto de utopia e insanidade, com sonho, transcendência, crença em algo ainda não definido em nossa racionalidade, mas que, por alguma razão, acreditamos ser possível. Seria a intuição nos chamando para algo que não concebemos, não planejamos ou sequer imaginamos? Seria uma forma de traduzir aquela força que vem do coração, ou da alma, capaz de fazer com que sejamos aquilo que realmente devemos ser? Teria a ver com “escolher o caminho menos transitado” em vez de escolher o que a maioria faz ao seguir “o bom senso”? 

A partir dessas questões passei a esculpir este poema, cujo final eu não fazia a menor ideia de como seria e que cada leitor poderá interpretar da forma que quiser. Porém, ficam os belos ensinamentos que, com muita simplicidade, são transmitidos para nós por este simpático protagonista.

Wilson Pailo – Autor

Simbologia Presente Nesta Obra

Tinta de cal: significa simplicidade, uma tinta feita com recursos locais, da terra, mesmo porque, por morar no sertão, em uma casa simples, de barro, não faria sentido usar uma tinta industrial.

A Casinha de Barro, com telhado de sapê: denota não apenas a simplicidade, o desapego a bens materiais, mas, principalmente, a chegada do velhinho à sua essência, após tantos aprendizados em uma vida cumprida com devoção e amor. Assim, o que o define não são seus bens acumulados, mas sua história de vida, seus conhecimentos e aprendizado.

“Um pequeno chaminé”: fogão à lenha, pequeno, usado para cozinhar uma comida simples, com propósito, apenas, de manter o corpo.

Alguns dentes faltando“: significa uma vida de muito trabalho, dedicação e esforço; uma vida que não foi fácil, mas vencedora!

Os pequenos olhos brilhando“: as pálpebras do rosto envelhecido e enrugado recaem sobre os olhos de aspecto cansado, mas que contêm um brilho especial, denotando serenidade, felicidade, paz de espírito, ternura. 

Mas, qualquer hora aparece, tem que ser paciente“: demonstra sua confiança absoluta em seu instinto, seu coração, mesmo sem ter a menor noção do que o futuro lhe guarda.

Sempre fui “consertador”, desde pequeno menino: aproveitou seu dom inato para construir sua trajetória, sem se preocupar se ficaria rico com isso, ou aonde chegaria.

Conheci muitas pessoas com as quais fiz amizade: denota sinceridade de propósito, predisposição para aprender e ensinar.

E consertei um pouco de tudo: soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe deu, se propondo a estar sempre aprendendo. Isso demonstra humildade, sendo capaz de dizer “não sei, mas quero aprender!”.

Os diferentes tipos de consertos que realizou: significa estar aberto a novas situações e oportunidade de aprendizado.

Consertei até pessoas…: em uma situação de emergência, pôde auxiliar pessoas graças a suas habilidades inatas e desenvolvidas; denota, também, autoconfiança e predisposição em fazer o bem ao próximo.

Já fui pai de família, formei meus filhos doutor: através de seu trabalho e dedicação, pôde proporcionar aos filhos meios para que estes seguissem seus próprios caminhos.

Minha mulher, falecida, mora com Nosso Senhor: denota religiosidade, preocupação com sua espiritualidade, crença em algo superior e divino.

… também já passei muita dor: a palavra “dor” significa perdas, dificuldades, momentos desafiadores, mas não se refere, de modo algum, a sofrimento.

… mas cada tarefa cumprida, procurei fazer em louvor!“: em sua espiritualidade, acredita que tudo que faz é uma contribuição para a obra maior de um Criador, e não para si próprio.

Nunca se esqueça do amor, em qualquer situação ou momento: esta é a essência da vida, ter o Amor como meio e propósito de nossas ações, independentemente se o momento é de dificuldade, dor, ou bem-aventurança.

… mas, como em tudo que faço, eu segui meu coração”: o que move nosso protagonista não é a ganância, a ambição, a vaidade,  ou outro motivo egoísta ou mundano, mas a fé e confiança em que, em sua trajetória, as situações, tanto as boas quanto as ruis, valem para o seu aprendizado e evolução, e que o objetivo de tudo não é a acumulação material, mas o aprimoramento do próprio ser e, principalmente, pensando no bem comum, fazendo o bem pelo bem, e não porque, agindo assim, se tornará uma pessoa melhor.  

Por um disco voador o velho fora abduzido, indo embora para o espaço, em um rumo desconhecido”: de modo algum, aqui, defende-se a hipótese de que ser abduzido por um disco voador seja algo bom ou desejável: apenas, refere-se à transcendência do ser a um grau mais elevado de existência, cabendo a cada um interpretar o significado disso da maneira como quiser.

AOS POUCOS, A OBRA VAI SENDO CONCLUÍDA!!

ESTÃO PRONTAS VÁRIAS ILUSTRAÇÕES! AQUI VAI UM SPOILER: A CASINHA DO VELHINHO.

O VELHINHO…

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Os textos e números em branco imitam a tinta de cal.

O fundo, em vermelho e com textura áspera, imita a parede de uma casa de pau-a-pique.

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Dimensões: 6,6 x 8,5 cm

Adere em qualquer superfície lisa!

Para participar, basta depositar 

R$ 50,00 

na conta Banco do Brasil, 

Agência 3548-3, 

Conta Corrente 42.927-9, 

em nome de Wilson Pailo, 

ou pelo PIX wpailo@yahoo.com

Em seguida, envie uma cópia do comprovante pelo e-mail 

consertasediscovoador@sjeditora.com.br

juntamente com seu nome e endereço e, 

caso deseje, informe o(s) nome(s) da(s) pessoa(s) para quem será feita a dedicatória.

O frete do calendário e do livro estão inclusos no valor!

Serão produzidos apenas 150 calendários, portanto, garanta já o seu!

Data prevista para o lançamento: abril 2024.

 

SOBRE O AUTOR

Enveredei-me pelo mundo literário em 2008, quando ainda morava nos EUA, primeiramente, escrevendo poemas e, mais tarde, em 2010, escrevi minha primeira história infantil, intitulada My Heart (Meu Coração), com versões em inglês e português. De lá para cá, fui escrevendo sempre que surgia algum tema ou inspiração. 

Nasci em Curitiba, sou formado em Engenharia Agronômica, Mestre em Administração e gosto muito da Natureza! Penso que escrever é como brincar com um enorme quebra-cabeças, onde as peças são as palavras, só que, em vez de uma figura, temos que montar uma história! Gosto, também, de fazer rimas e, de preferência, sutilmente incluir no texto alguma mensagem bacana para os leitores.

“Conserta-se Disco Voador” é uma de minhas histórias preferidas. Foi esculpida aos poucos, a partir da frase que li em uma plaquinha. Envolveu muitos rascunhos e tentativas. Sei que a história em si já estava pronta, em algum lugar deste Universo: a questão era chegar até ela. No fim, creio que tenho um pouco dela em mim (me refiro a acreditar em utopias e procurar fazer as coisas com o coração). 

Espero que tenham gostado!

Desejo a todos uma boa leitura e Luz e Paz a todos os Seres!!

Um grande abraço e até a próxima!!

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